PSOL rejeita proposta de chapa única das esquerdas

A entrada do PSOL em uma chapa única de esquerda na disputa pelo Palácio Guanabara está a cada dia mais distante. O partido lançará dia 7 a candidatura a governador de Tarcísio Motta, vereador no Rio, sob o discurso de que a esquerda fluminense não pode abandonar a autocrítica. Lideranças da legenda, resistentes a uma composição, alertam que o possível "chapão de esquerda" poderia unir antigos aliados do atual governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB).

 

De acordo com o deputado Chico Alencar, pré-candidato ao Senado, o mote do PSOL será o combate aos grupos políticos que "degradaram o estado". A estratégia de campanha será a mesma de 2014, quando o partido mirou nas legendas que, de alguma forma, colaboraram com o governo do MDB.

 

— Ser coerente não é ser purista nem sectário. A população anda cansada de quem vai mudando de acordo com as circunstâncias e as conveniências — disse. — Hoje, no Brasil, a casta política, seja nacional ou regional, quer sobreviver, mesmo que à custa de alguns se tornarem de "esquerda" como marca de fantasia.

 

No entanto, mesmo com o lançamento de Tarcísio, o PSOL ainda manterá em aberto o diálogo com outras forças de esquerda. Mas qualquer aliança deve girar em torno do nome do vereador.

 

— Temos a qualificada pré-candidatura do professor e vereador Tarcísio Motta e apresentamos a todos os companheiros do campo progressista o movimento "Se o Estado do Rio fosse nosso", que tem realizado reuniões públicas de análise da nossa profunda crise e caminhos de solução, em todas as regiões do Rio — afirmou o deputado.

 

O PSOL foi procurado pelos partidos PDT - que já esteve ao lado do governo Pezão - e PCdoB para a composição da aliança de esquerda. As conversas também incluíram as legendas PSB, PT e PPS - que fez parte da aliança de Pezão. Na última eleição ao estado, o PSOL lançou Tarcísio numa chapa puro-sangue, ficando em quinto lugar.

 

 

 

Um dos articuladores da aliança, o pré-candidato do PDT a governador Pedro Fernandes, afirmou nesta quinta-feira que as conversas estão adiantadas com o PSB e o PCdoB - na última quarta-feira PDT e PCdoB anunciaram a criação de um plano de governo conjunto. Um acordo em nível nacional estaria colaborando com a aproximação estadual entre PDT e PSB.

 

Segundo Fernandes, caso caminhe rachada, há o risco de a esquerda não garantir vaga no segundo turno, repetindo o que ocorreu em 2014, quando Pezão, do MDB, derrotou no segundo turno o atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB).

 

— Tanto o candidato do PT na época, Lindbergh Farias, quanto o do PSOL não conseguiram ir ao segundo turno. A falta de uma aliança deixa o estado mais distante — disse Fernandes, ao explicar que a busca de um consenso entre os partidos também passa pelas vagas no Senado.

 

 

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