22/07/2019 00:29

Índio deixa o PSD por discordar da filiação de Wladimir Garotinho

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O ex-deputado índio da Costa renunciou hoje à presidência regional do PSD e anunciou o seu desligamento do partido por discordar da filiação do filho do ex-governador Garotinho, o deputado federal Wladimir Garotinho. A decisão põe fim a uma queda de braço entre índio da Costa e o deputado federal Hugo Leal pelo controle do PSD no estado. De olho na possibilidade de se candidatar ao Governo em 2022, caso Witzel não dispute a reeleição, Hugo está tentando fortalecer a legenda, convidando vereadores, prefeitos, e deputados estaduais e federais para ingressarem no PSD.

A decisão de Índio da Costa ocorre cinco dias após ter sido divulgado o conteúdo da delação do empresário Mariano Ferraz, segundo a qual ele teria pago 2,5 milhões de dólares ao ex-deputado em troca de proteção na CPI da Petrobrás em 2014. Índio refuta a acusação, afirmando que não era deputado à época, tendo recebido o valor por seu trabalho como advogado.

Em carta ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, Índio da Costa afirma que as novas filiações mostram que o partido “não se conectou com as ruas e ruma em caminho oposto ao que a sociedade almeja.

“Entre a presidência estadual do partido e a coerência, fico com a coerência. Por isso, presidente, renuncio à presidência do PSD-RJ e comunico minha desfiliação do partido.”, afirma.

Leia a íntegra de sua publicação no facebook:


Ontem, renunciei à presidência do PSD e me desfilei do partido porque não compactuo com a filiação do deputado federal, filho do ex-governador Garotinho no PSD. Torno pública minha carta de desfiliação:

Rio de Janeiro, 12 de março de 2019

Ao Presidente Gilberto Kassab,

A formação do PSD, em 2011, me encheu de orgulho e esperança. Orgulho de participar de uma nova formação política partidária. E, esperança de mudar a forma de se fazer política no Brasil, mas principalmente no Rio de Janeiro.

Em junho de 2013, as ruas cobraram novos caminhos a se seguir. Tentei mostrar ao partido que poderíamos seguir novo rumo em 2014, mas fui vencido. Acabei submetido à lógica partidária.

Em 2016, enfrentamos juntos enorme crise interna e sou grato pela sua atitude de garantir candidatura própria ao PSD do Rio, com isso dobramos a bancada de vereadores.

Em 2018, seguimos na busca de fortalecer uma cultura partidária, com base em propostas consistentes, princípios e valores que fossem permanentemente conectados à sociedade.

Nesta jornada de 2018, montamos um time de candidatos e elegemos, pelo PSD do Rio de Janeiro, 4 deputados estaduais, 3 deputados federais e um senador.

No entanto, recentes filiações no partido sinalizam que o PSD não se conectou com as ruas e ruma no caminho oposto ao que a sociedade deseja.

Entre a presidência estadual do partido e a coerência, fico com a coerência. Por isso, presidente, renuncio à presidência do PSD-RJ e comunico minha desfiliação do partido.

Em tempos de tanta instantaneidade, vivo um momento de me reconectar aos objetivos que me levaram a entrar para a política em 1992.

Dedicarei meu tempo aos estudos e ao diálogo. Quero ouvir pessoas que mesmo fora da política partidária queiram contribuir para um país melhor. Acredito que o espaço para isso hoje não necessariamente seja um partido político.

Aos amigos que ficam no PSD, agradeço a convivência e o aprendizado.

Desejo sorte,
Indio da Costa.

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